CAUSAS

 

  1. Matéria orgânica estagnada

De uma forma simplista dizemos que ocorre estagnação de matéria orgânica quando existe uma alteração do padrão salivar, seja porque a saliva está diminuída ou porque a mesma se encontra muito viscosa. Juntamente com a diminuição do fluxo, pode ocorrer uma descamação do epitélio bucal em níveis acima dos níveis  fisiológicos, e também da presença de resíduos alimentares.

Quando a saliva não está num padrão adequado, ela deixa de exercer o seu principal papel, que é o de estar constantemente lavando a cavidade bucal, evitando que ocorra a estagnação de material orgânico, que sabemos ser o principal combustível para a formação de maus odores bucais.

Quando não ocorre essa lavagem fisiológica da boca, a conseqüência disso vai ser a formação da saburra lingual.

 Sabe-se que é na saburra lingual onde  é formado mais de 80% dos CSVs bucais. A saburra lingual, por sua importância na gênese da halitose,  merece uma melhor explicação sobre os seus mecanismos de formação.

As causas que levam a alteração do padrão salivar e a descamação epitelial são várias, entre elas podemos citar: o estresse, o efeito colateral de alguns medicamentos, hábitos inadequados, deficiências vitamínicas, próteses mal adaptadas, aparelho ortodôntico, uso de enxaguantes bucais que contenha álcool, bebidas alcoólicas, etc.

 

  1. Saburra lingual

A saburra lingual é uma massa espessa de cor acastanhada ou esbranquiçada que se forma no dorso da língua, especialmente na região mais posterior.

A composição da saburra é basicamente de células descamadas, proteínas salivares e resíduos alimentares. É nela onde mais de 80% dos CSVs são formados. Um dos principais objetivos do tratamento do mau hálito é impedir ou dificultar ao máximo a formação da saburra lingual, para tanto fazemos uma correção do fluxo salivar, seja aumentando a quantidade de saliva ou deixando-a numa viscosidade mais adequada. Diagnósticamos e removemos as causas que estão levando a descamação epitelial a um nível muito acentuado e  aumentamos a oxigenação da cavidade bucal, pois na presença de uma boa oxigenação os microorganismos da saburra permanecem inativos. Quando conseguimos isso a saburra se forma muito lentamente e em pequena quantidade, não sendo possível que a mesma consiga comprometer a qualidade do hálito.

Sendo a saburra a responsável por mias de 80% dos CSVs, o ato de remover a saburra o mau hálito desaparece, certo? Sim. Mas por um curto espaço de tempo ( mais ou menos 2 horas). Pois como não se atacou as causas da sua formação, logo após removida ela começa a se neoformar e logo o hálito fica ruim novamente.

 

ESTÔMAGO

 

 É comum que os pacientes, e até mesmo médicos e dentistas pouco familiarizados com o assunto, acreditem que o estômago possa causar mau hálito.

Apesar de que a literatura diga que 1% dos casos de halitose tem origem estomacal, eu mesmo em mais de 8 anos trabalhando com o tratamento de hálito, nunca vi sequer um caso onde o estômago fosse  causador.

No entanto, já atendi inúmeras pessoas que tiveram o estômago diagnosticado como causa do problema e foram submetidos a exames de endoscopia digestiva, cirurgias para correção de hérnia de hiato, tratamento de gastrites e úlceras e não observaram nenhuma melhora no hálito. Isso tem uma explicação lógica, estômago raramente causa mau hálito.

 

 

AMÍGDALAS

 

É comum pessoas que tem mau hálito expelir das amígdalas uma massinha com cheiro muito ruim. Essa “massinha” é chamada de cáseos, eles são semelhantes á saburra lingual e se formam pelo mesmo mecanismo. Só que ao invés de se formar na língua eles se formam nas amígdalas, especialmente naquelas que apresentam criptas.

É comum  pessoas que procuram tratamento para o mau hálito já terem sido submetidos a extração das amígdalas e não obtiveram melhora no hálito.

Mas se os cáseos é causa da halitose e o mesmo se forma nas amígdalas, porque a remoção das amígdalas não resolve o problema? Resposta simples: Como a causa da formação dos  cáseos e da saburra não foi tratada, o  paciente não forma mais cáseos , mas forma saburra e portanto continua com o hálito ruim.

Desaconselhamos a extração das amígdalas pra tratamento da halitose, sem que antes se tente uma correção do fluxo salivar e uma diminuição da descamação do epitélio bucal.

Só em casos muito específicos é que recomendamos a remoção das amígdalas.

 

OUTRAS CAUSAS

 

Mais de 90% dos casos de halitose é devido a fatores que levam a formação da saburra lingual, no entanto, existem outras causas que também pode desencadear o problema. Entre elas podemos citar: doença periodontal, diabetes, deficiência hepática, intestino preso, dieta, degradação de alguns medicamentos, alimentos de odor carregado, alterações hormonais, alterações pancreáticas, etc.

Na verdade existem mais de 90 causas que podem levar uma pessoa a ter mau hálito, portanto a cura para este problema, depende de um diagnóstico preciso e exato, que deve ser feito por um profissional familiarizado com o assunto, e depois uma correta prescrição e execução  de tratamento.